Produtores de café recebem os primeiros certificados internacionais do IMA e UTZ

25 Julho 2017
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Certificação inclui produção sustentável e abre novas oportunidades comerciais no mercado internacional.

Minas responde por 56% da produção de café brasileira.

Vanúsia Duarte

Os primeiros produtores de café certificados pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e pela organização holandesa UTZ receberam nesta segunda-feira (24/7) os certificados emitidos pelas duas entidades. A entrega ocorreu em Poços de Caldas em evento que reuniu produtores rurais, autoridades e lideranças do agronegócio. Até o momento o IMA e UTZ já certificaram 31 produtores e outros estão em fase de adequação às normas para requerer a mesma certificação.

O certificado recebido pelos produtores é resultado de uma parceria entre o Programa Certifica Minas Café (CMC) e a UTZ, uma das maiores organizações de certificação do mundo.  A logomarca da UTZ está presente em mais de 13 mil marcas de produtos em 130 países. O número de certificações UTZ em 2016 foi suficiente, por exemplo, para a produção de 38 bilhões de xícaras de café, 3 bilhões de xícaras de chá e 15 bilhões de barras de chocolate.

Para conceder o seu selo, reconheceu a equivalência entre a sua certificação e aquela realizada  pelo Programa Certifica Minas Café (CMC), iniciativa do Governo de Minas.  A posse desse certificado concede aos cafeicultores um novo e importante valor agregado que confere à sua produção maior competitividade e acesso aos mercados nacional e internacional, inclusive possibilitando melhores preços para o seu produto.

Essa certificação da UTZ é gratuita. Se fosse fazer por uma empresa privada cada produtor gastaria, em média, 5 mil reais. Os produtores certificados até o momento respondem por uma área produtiva de cerca de 7 mil hectares de café.

Sustentabilidade

Para receber o certificado os produtores passaram por auditoria realizada pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e cumpriram 28 itens obrigatórios em cinco áreas: lavoura, rastreabilidade, responsabilidade ambiental e social, capacitação e gestão da propriedade. É necessário também que o produtor obtenha uma pontuação mínima de 80 pontos no cumprimento da norma de certificação.

Entre as normas obrigatórias se incluem a exigência de condição sanitária comprovada dos viveiros comerciais de café existentes na propriedade, o não desmatamento na área, o tratamento de resíduos poluentes de atividades agroindustriais, a proibição do uso de mão de obra infantil e a outorga da água usada na irrigação. 

O diretor-geral do IMA Marcílio de Sousa Magalhães ressaltou a importância do certificado como uma oportunidade não apenas de melhorar o produto, mas a gestão da propriedade, uma vez que no processo de certificação o produtor assume uma nova visão de como gerir a sua produção não somente pelo aspecto mercadológico e de sustentabilidade, mas também de administração.

O secretário de Estado Adjunto da Agricultura de Minas, Amarildo Kalil, ressaltou a importância da parceria entre a Seapa, responsável pela implementação do Certifica Minas Café, o IMA e a Emater-MG, cujos extensionistas dão o apoio e a orientação necessários para os produtores no processo de adequação da sua propriedade às normas e requisitos exigidos pela certificação.

Menos agrotóxico

O produtor Luiz Fernando Ribeiro de Lima, do município de Areado, considera que  além de agregar valor ao produto, “a certificação dará uma visão mais consciente do mercado internacional, que exige um produto cada vez mais natural, com menos aplicação de agrotóxicos e, por consequência, um café mais sustentável, preservando o meio ambiente. Nós, como pequenos produtores, passamos a ser mais reconhecidos lá fora e, por meio do IMA, recebemos este incentivo” , disse. 

Para Manuel Barbosa Junqueira, produtor em Poços de Caldas e primeiro cafeicultor a se inscrever no programa, “o certificado vai melhorar  os procedimentos da produção diária e na organização e administração da  fazenda. Com isso, vamos agregar mais valor ao nosso produto, com mais competitividade no mercado e acesso mais fácil ao comércio”.

Como participar

Para ingressar no Programa Certifica Minas Café e UTZ é necessário que o interessado procure inicialmente uma unidade da Emater-MG para obter as informações e iniciar o processo de adequação da sua propriedade visando a certificação. Após a adequação esse produtor é indicado ao IMA para ser auditado. Informações completas também pode ser obtidas no site www.ima.mg.gov.br

 Certifica Minas Café

O Programa Certifica Minas Café tem como principal foco as boas práticas de produção e a responsabilidade socioambiental na produção de café e certificou 1230 propriedades cafeeiras em 2016. É coordenado pela Secretaria de Agricultura de Minas (Seapa) e executado pelo IMA e Emater-MG.

 O IMA é o Organismo de Certificação do Programa. Realiza as auditorias de conformidade nas propriedades cafeeiras, emite certificados e autorizações para o uso do selo do Programa CMC. É através da auditoria do IMA que a certificação se consolida, dando aos produtores a possibilidade de diferenciar seus produtos.

 A Emater-MG realiza a assistência técnica direta aos produtores, auxiliando-os na forma correta de realizar os registros de rastreabilidade e as adequações técnicas e estruturais para conseguirem cumprir as normas de certificação do CMC.

 A Seapa articula ações junto aos entes federados e demais instâncias de Governo, visando à execução do CMC e dá apoio logístico à execução dos objetivos da certificação.

Fonte: IMA

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