O futuro dos alimentos na América Latina e no Caribe

25 Fevereiro 2019
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Especialistas em agricultura se reuniram na Costa Rica esta semana para identificar oportunidades e ameaças que poderiam afetar os sistemas alimentares e agrícolas na América Latina e no Caribe (ALC).

Banco Mundial lidera iniciativa que busca garantir que os sistemas agrícolas e alimentares da ALC conduzam ao crescimento inclusivo, gerem empregos e contribuam para alimentar parte da população mundial de maneira sustentável, nutritiva e segura.

O workshop reuniu a formuladores de políticas, pesquisadores e representantes de grupos de produtores, empresas do agronegócio, organizações da sociedade civil e agências de desenvolvimento, para examinar cenários futuros prováveis e identificar ações que poderiam ser realizadas para facilitar o surgimento de sistemas agrícolas e alimentares dinâmicos, produtivos e modernos. As conclusões do workshop servirão como insumos para um importante relatório sobre o futuro dos sistemas agrícolas e alimentares na ALC.

"Os resultados deste workshop serão usados para moldar as mensagens-chave do relatório e assegurar que estas mensagens sejam pertinentes para uma ampla gama de atores e principais parceiros", disse Michael Morris, economista agrícola líder do Banco Mundial.

O objetivo do relatório é melhorar a compreensão das oportunidades de transformação oferecidas pelos sistemas agrícolas e alimentares da ALC para contribuir para o crescimento, emprego e a segurança alimentar, enquanto se mantêm as dotações de capital natural nos âmbitos mundial e local. A elaboração do relatório vem de uma aliança liderada pelo Grupo Banco Mundial, da qual participam o Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentares (IFPRI), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), McKinsey & Company (McKinsey) e The Nature Conservancy (TNC).

Com base nos resultados de trabalhos analíticos anteriores, os participantes do workshop construíram uma série de cenários futuros que refletiram diferentes combinações de fatores impulsionadores, como as mudanças climáticas, mudanças nas dietas humanas, o surgimento de tecnologias disruptivas e o aumento da escassez de terras agrícolas e água para irrigação. Depois de elaborar uma descrição detalhada de cada cenário e imaginar seus impactos no crescimento, na pobreza, na segurança alimentar e no meio ambiente, os participantes identificaram as ações necessárias para salvaguardar o desempenho dos sistemas agrícolas e alimentares em cada um dos cenários, se estes se tornaram realidade. Algumas das ações são projetadas para a proteção contra riscos potencialmente catastróficos, outras para permitir aos atores chave aproveitar as oportunidades que poderiam surgir, e outras, conhecidas como "grandes apostas", para alterar a trajetória de todo o sistema agrícola e alimentar.

Durante o evento realizado em 19 de fevereiro, os participantes chegaram ao consenso de que a ALC pode desempenhar um papel fundamental na contribuição à segurança alimentar mundial e na geração de serviços ambientais de importância no âmbito global. Em seus comentários, Eugenio Díaz-Bonilla, chefe do Programa da América Latina e no Caribe do IFPRI, enfatizou que é vital gerenciar o desenvolvimento de sistemas agrícolas, rurais e de alimentares de uma forma que se permita equilibrar os objetivos de crescimento inclusivo, a redução da pobreza e a sustentabilidade.

O anfitrião da atividade e diretor-geral do IICA, Manuel Otero, destacou o papel que a agricultura da ALC desempenha no mundo. "A agricultura está em nosso DNA, e cabe a nós aproveitar a oportunidade para nos tornarmos aqueles que irão garantir a segurança alimentar mundial", disse.

A partir de uma perspectiva de longo prazo, o relatório, que deverá estar pronto até o final de 2019, analisa as ações necessárias, hoje e nos próximos anos, para garantir que sistemas agrícolas e alimentares da ALC levem a um crescimento inclusivo, gerem empregos e contribuam para alimentar as cerca de 9,5 bilhões de pessoas em todo o mundo em 2050, de forma sustentável, nutritiva e segura.

Flore de Preneuf

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Jornal AgroNegócio

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