Revitalização de Áreas Degradadas

04 Outubro 2017
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Projetos apoiados pela Fapemig ajudam a recuperar a Bacia do Rio Doce.

Após o episódio envolvendo a barragem da Samarco, fundação estimula estudos e desenvolvimento de tecnologias para revitalizar áreas degradadas

Desde o rompimento da barragem de Fundão, ocorrido no dia 5 de novembro de 2015, no município de Mariana, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) tem voltado esforços para a recuperação da Bacia do Rio Doce, afetada pelo despejo de milhões de toneladas de rejeitos de mineração. Até o momento, foram feitas duas chamadas para a este fim: uma para o desenvolvimento de tecnologias e outra para apoiar redes de pesquisa.

Na Chamada 06/2016 “Apoio a Redes de Pesquisa para Recuperação da Bacia do Rio Doce”, a mais recente delas, foram aprovados cinco projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação desenvolvidos por diferentes instituições de ensino superior.

A seleção das propostas visa a formação em nível de pós-graduação stricto sensu e a geração de conhecimento, tecnologias e processos que ajudem a recuperar a Bacia do Rio Doce e ecossistemas associados.

“Com isso, ela contribui para o desenvolvimento de soluções holísticas para os problemas decorrentes da tragédia e não apenas soluções pontuais, focadas em problemas específicos. Isso significa, por exemplo, que soluções para o uso do solo dialoguem ou contemplem soluções para a qualidade da água ou para a recuperação da biota, e assim por diante”, destaca o assessor da Diretoria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapemig, Rafael Pessoa.

Alguns fatores foram determinantes para a escolha dos projetos, como soluções objetivas e o trabalho a ser desenvolvido em rede por instituições e comunidades, podendo o conhecimento adquirido ser utilizado no futuro em outras bacias degradadas.

Outro aspecto avaliado é o nível de recuperação da bacia. A intenção é fazer com o que o Rio Doce volte aos mesmos níveis de qualidade que tinha há cerca de 20 anos.

“Além disso, nesse formato a chamada garante a consolidação de redes de pesquisa, favorecendo a troca de conhecimento entre pesquisadores de diferentes áreas da ciência, diferentes instituições de pesquisa e diferentes regiões do país. A chamada para pesquisa em rede permite ainda a mobilização de competências disponíveis em regiões do país não diretamente afetadas pelos impactos da tragédia, ou seja, fora dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo”, enfatiza Rafael Pessoa.

O investimento da Fapemig é de R$ 4 milhões. Outra parte vai ser financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Agência Nacional das Águas (ANA). Atualmente, os projetos estão em fase de contratação e assinatura do Termo de Outorga.

Clique aqui para acessar a relação completa das propostas aprovadas na Chamada 06/2016.

Tecnologias para recuperação

Antes, a Fapemig já havia aberto a Chamada 04/2016 “Tecnologias para recuperação da Bacia do Rio Doce”. Foram contratadas 29 propostas: seis estão dentro da linha temática Recuperação do Solo, sete na Recuperação da Água, oito na Recuperação da Biodiversidade e oito na linha Tecnologias Sociais.

O aporte total é de R$ 4 milhões a serem investidos pela fundação. Assim como no caso da Chamada 06/2016, a iniciativa é fruto de uma parceria entre a Fapemig, Fapes e Capes.

Clique aqui para acessar a relação completa das propostas aprovadas na Chamada 04/2016.

Ação em andamento

Dentre os projetos escolhidos na Chamada 06/2016, está o “Tecnossolos do Rejeito de Mineração de Ferro da Barragem de Fundão”, do professor Carlos Ernesto Gonçalves Reynaud Schaefer, da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

O projeto quer recuperar áreas de cultivo degradadas sem retirar os rejeitos que foram despejados. O trabalho começou a ser desenvolvido poucos dias após o rompimento da barragem e passará a ter o apoio da Fapemig.

“A gente quer que isso seja replicado para, se possível, todas as áreas que foram afetadas. A nossa estratégia é tentar tratar e remediar com o mínimo impacto adicional”, explica o pesquisador.

“Apesar de ser um acidente que gerou uma catástrofe ambiental sem precedentes, estamos utilizando essa lição como uma possibilidade de desenvolver uma tecnologia que seja apropriada para esses casos”, destaca Carlos Schaefer.

Cerca de 30 hectares entre os municípios de Barra Longa e Rio Doce já foram recuperados e apresentam resultados positivos para produção agrícola por meio de técnicas de correção de solo.

São utilizados métodos de cobertura com materiais agrícolas, aliados à correção do solo com adubação ou calcário. Outros 90 hectares estão em tratamento ou pesquisa. A expectativa é levar as técnicas desenvolvidas para os locais de cultivo ao longo da bacia. São cerca de 500 hectares com potencial de serem recuperados.

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Jornal AgroNegócio

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