Produção de mel movimenta a economia do Norte de Minas

O crescimento da produção de mel no Norte de Minas está possibilitando a geração de empregos no campo e o aumento do número de jovens e mulheres trabalhando com a atividade.

Segundo dados da Emater-MG, quase 92% dos agricultores familiares dos municípios das regionais de Montes Claros, Salinas, São Francisco, Januária, Janaúba e Projeto Jaíba contam com a ajuda do cônjuge e filhos para atenderem a demanda do produto. Atualmente a região tem aproximadamente 1600 apicultores.

De acordo com o zootecnista e coordenador técnico regional da Emater-MG, Luiz Fernando Mendes, a atividade apícola gera mais de 350 mil empregos diretos e indiretos no Brasil, sendo 42 mil em Minas Gerais. O Estado é responsável por aproximadamente 12% da produção do mel e quase 90% da produção de própolis verde no país.

“A apicultura possui um grande diferencial em relação a outras atividades do agronegócio, pois ela é beneficiada com algumas floradas que são resistentes ao período seco, contribuindo para o aumento da produção dos apicultores, enquanto ocorrem perdas em outros setores agropecuários nesta época do ano. Em algumas regiões do Estado, a atividade é aliada da polinização de culturas, como no caso dos produtores de sementes que alugam colmeias dos apicultores”, afirma.

A produção do mel na região é comercializada de diversas formas, incluindo os mercados institucional, por intermédio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), com o Registro da Vigilância, Sistema de Inspeção Municipal (SIM),  Estadual (IMA) ou Federal (SIF). Além disso, o mel  é vendido nas feiras livres municipais e pontos comerciais. 

Segundo o presidente da Federação Mineira de Apicultura (Femap) e membro do Conselho de Própolis da Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abemel), César Ramos Júnior, a atividade tende a crescer mais em Minas Gerais, pois o Estado dispõe de um potencial produtivo muito grande em virtude da riqueza da fauna e flora. Porém, ainda é preciso superar alguns entraves relacionados a regulamentação sanitária, investimento na base produtiva e normatização da tributação de impostos. 

“A produção do mel no Estado tem tomado uma notoriedade imensa, no Brasil e no exterior, tanto de qualidade quanto sabor e preço. O primeiro trimestre deste ano já apontou estatísticas significativos na exportação, com um volume de 5 mil toneladas de mel. A expectativa é que, no segundo semestre, a apicultura apresente resultado equivalente a 25 mil toneladas, graças ao clima no período, favorecendo as floradas”, afirma.

Criada há quase três anos, a Associação do Grupo Orgânico de Apicultores de Minas Gerais (Apiorg-MG), localizada no município de Guaraciama, Norte de Minas, tem se destacado com a venda da produção para outros países. Anualmente, a entidade exporta aproximadamente 70 toneladas de mel, vendendo a R$ 12 o quilo, contabilizando uma renda de quase R$840 mil.  O presidente da Apiorg-MG, Jeremias Nogueira, ressalta que a apicultura nunca esteve tão valorizada como agora. Antigamente os produtores tinham a atividade apenas como alternativa de renda, e hoje é a principal.

“Quando montamos a associação, estávamos meio receosos, pois não acreditávamos que esse negócio faria tanto sucesso e que poderíamos viver só disso. Hoje recebemos de demandas para exportar o mel a vários países, como Nova Zelândia, Itália, Alemanha, Estados Unidos, entre outros. A marca da nossa associação é reconhecida mundialmente, nos motivando cada vez mais a seguir com a profissão de apicultor”, ressalta.

A região também conta a Cooperativa de Apicultores e Agricultores Familiares do Norte de Minas (Coopemapi), que integra 20 municípios. Ela é responsável por atender demanda de outros estados, como São Paulo e Santa Catarina. Foi criada em julho do ano passado e, com quase um ano no mercado, já comercializou mais de 400 toneladas de mel.

Thiago Henrique Catone Nogueira, 26 anos, é formando em Técnico em Informática e tinha uma microempresa de prestação de serviços. Ele conta que desistiu de atuar na profissão, pois encontrou na apicultura oportunidades que a sua formação não lhe proporcionou, principalmente no quesito financeiro. “Trabalho com a atividade há três anos ajudando o meu pai e me sinto realizado com o retorno que a apicultura está dando a nossa família. Pretendo aperfeiçoar o meu conhecimento no setor, pois acredito que a demanda da produção do mel ainda vai ser carro-chefe da agricultura familiar”, comenta.

Laura Aparecida Souza Oliveira é apicultora e destaca que a atividade hoje é a sua principal fonte de renda. “Eu e meu marido já trabalhamos com várias atividades agrícolas, mas depois que priorizamos a apicultura vimos a diferença que sucedeu, tanto financeiramente quanto as melhores condições de trabalho. Esperamos que esse legado sirva de exemplo para que o nosso filho dê prosseguimento a atividade quando não tivermos mais disposição física para trabalhar", disse.

Assessoria de Comunicação – Emater-MG

Crédito da foto: Divulgação Emater-MG

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